Festa / tradição · Regional

Carimbó

Também conhecido(a) como Carimbó pau e corda, Carimbó de roda e Samba de roda paraense

Dança e música de roda típicas do Pará, com o tambor curimbó, saias rodadas e versos sobre o rio, o mar e a vida cabocla.

Comparar versões

Isto é uma narrativa de tradição oral. Em primeiro lugar, vale explicar que o conteúdo abaixo pertence ao conjunto de lendas do folclore brasileiro, repassadas de boca em boca entre gerações. Por isso, interprete cada passagem como parte do imaginário e das crenças populares que formam o patrimônio cultural do país — e não como um fato apurado por pesquisa histórica. Logo mais adiante, você vai encontrar 3 versões diferentes dessa mesma história, organizadas uma após a outra.

Origem

O carimbó é uma expressão cultural paraense que une música, dança e versos. Seu nome deriva do curimbó, tambor confeccionado a partir de um tronco escavado e revestido com couro animal, tocado com as mãos pelo músico que se posiciona sentado sobre o instrumento. Muitos associam a palavra ao tupi, em expressões relacionadas a “pau oco” ou a algo que gera som, ainda que sua origem exata permaneça em discussão entre os especialistas.

Pesquisadores atribuem o surgimento do carimbó ao encontro entre indígenas, africanos escravizados e colonizadores europeus, especialmente na região do Salgado, no litoral do Pará, e na ilha de Marajó. Dos povos indígenas teriam vindo o tambor e a proximidade com a natureza; dos africanos, a força do ritmo e a dança em roda; dos europeus, instrumentos como o banjo e traços de danças em pares. Por muito tempo, a manifestação foi alvo de preconceito por parte das elites das cidades, mas sobreviveu entre pescadores e agricultores.

Nas décadas de 1960 e 1970, artistas como Mestre Verequete e Pinduca contribuíram para difundir o carimbó em rádios e gravações, dando origem ao chamado carimbó moderno, com instrumentação elétrica. A manifestação foi registrada pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil, fruto da articulação de mestres e grupos de todo o estado.

Descrição

Na forma tradicional, conhecida como pau e corda, o grupo é composto por curimbós, maracas, reco-reco, banjo, flauta ou clarinete, podendo incluir saxofone em algumas formações. Os versos tratam da pesca, dos rios, dos animais, das frutas, dos relacionamentos e da rotina das comunidades que vivem às margens dos rios e no litoral. O compasso é envolvente e convida a todos a participar da roda.

A coreografia é dançada em duplas, formando uma roda. As mulheres trajam saias longas, rodadas e bem coloridas, blusas brancas com renda, colares e flores presas aos cabelos, dançando sem sapatos e girando as saias. Os homens, com calças dobradas e camisas estampadas, cortejam suas parceiras com o corpo inclinado. Um momento bastante conhecido é a dança do peru, na qual o homem precisa recolher com a boca um lenço deixado no solo pela parceira.

O carimbó não está ligado a uma única ocasião: é executado em homenagens a santos padroeiros, festivais, encontros de bairro e nas praças de Belém e de outras cidades. Mesmo assim, determinados períodos reúnem maior número de apresentações, como julho, mês de férias em que o litoral paraense recebe muitos turistas, e o fim de ano, período das celebrações a São Benedito em cidades da região do Salgado. Em junho, o carimbó também compartilha espaço com as festas juninas do Pará.

Características

  • Curimbó, tambor de tronco escavado, tocado por um músico sentado sobre ele
  • Maracas, reco-reco, banjo, flauta, clarinete e saxofone
  • Dança de roda formada por pares, com saias longas e rodadas
  • Dança do peru, em que o homem recolhe um lenço usando a boca
  • Versos dedicados à pesca, à natureza e ao cotidiano caboclo
  • Presença marcante em festas de padroeiros e festivais regionais
  • Mestres e mestras responsáveis por preservar a tradição oral

Versões da história

Assim como ocorre com qualquer relato passado de boca em boca, esta história ganha contornos diferentes dependendo de quem a narra e de onde ela é contada. Veja, nos quadros a seguir, as formas mais conhecidas dela:

Região do Salgado (PA)

Trata-se da forma mais associada à tradição, encontrada em cidades como Marapanim, Curuçá, Vigia e Maracanã. Os conjuntos utilizam somente instrumentos acústicos e preservam repertórios passados oralmente, criados por mestres da região que narram em versos o dia a dia das comunidades de pescadores.

Comparar as versões lado a lado

Significado cultural

O carimbó traduz a identidade do caboclo da Amazônia, resultado da combinação de heranças indígenas, africanas e europeias. Suas letras guardam conhecimentos sobre a pesca, o cultivo da terra e a natureza, funcionando como uma espécie de registro cantado da vida nas comunidades litorâneas e ribeirinhas do Pará.

A roda de carimbó também representa um espaço de convívio e de fortalecimento comunitário. O respeito aos mestres, a transmissão dos ritmos e a confecção artesanal dos instrumentos tornam o carimbó um patrimônio vivo, que se atualiza sem deixar de lado suas origens.

Curiosidades

  • O curimbó tradicional é produzido a partir de um tronco escavado com fogo e revestido de couro, e o músico se senta sobre ele para tocar.
  • Marapanim é reconhecida como uma das principais referências do carimbó e promove festivais dedicados ao gênero.
  • Quando o homem não consegue recolher o lenço com a boca durante a dança do peru, é comum que a roda faça brincadeiras com ele.
  • Mestres do carimbó costumam receber homenagens em festivais, e vários deles compuseram centenas de canções durante a vida.

Fontes de referência

  1. Vicente Salles, O Negro no Pará (1971)
  2. Vicente Salles e Marena Isdebski Salles, Carimbó: trabalho e lazer do caboclo (1969)
  3. IPHAN, Dossiê de registro do Carimbó
  4. Luís da Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro (1954)

Este material foi escrito com base nas fontes bibliográficas listadas acima, que reúnem o que já se sabe sobre o folclore brasileiro. Caso você identifique algum erro ou conheça uma versão diferente para esta lenda, mande sua sugestão por aqui.

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